Estava lotada a galeteria, as mesas estavam próximas, a conversava rolava em tom alto, como é comum por aqui.

Uma jovem lasca: "uma costelinha de porco, por favor" ao atento e educado garçom. Além de educada, sabia pedir o corte da tal costelinha de porco. Para muitos, ainda é um pouco estranho nossa combinação típica de galeto com carne suína.

De 1900 a 1960, a produção suinícola no Rio Grande do Sul foi baseada na produção de gordura, para comercialização no mercado interno e externo. E se guardava carne feita, em banha por falta de geladeira.

Com o advento das gorduras vegetais e das mudanças de hábitos alimentares da população, a atividade direcionou-se para a produção de carne, a qual passou a ter importância no mercado externo, a partir de meados da década de 1970 devido ao aumento da qualidade do produto e custos competitivos.

A década de 1980 foi caracterizada pela estagnação da produção suína, em decorrência das instabilidades econômicas do período. Após 1990, o setor buscou o reposicionamento, a partir da produção em escala, produtividade, qualidade e busca de mercados externos. Entretanto, foi após 1994 que o setor encontrou a estabilidade e melhor rentabilidade ao produtor. Fatores como o aumento do poder aquisitivo da população e abertura do mercado internacional estimularam o setor após o plano de estabilização econômica.

As bases do desempenho da suinocultura são as estratégias empresariais e os avanços tecnológicos e organizacionais, incorporados ao longo das duas últimas décadas. Na produção primária vêm ocorrendo mudanças estruturais com aumento de escala, especialização e tendências relacionadas à crescente integração com a estrutura industrial de abate e processamento.

Atualmente, o RS tem participação importante no mercado internacional das três carnes mais consumidas no mundo, a suína, de frango e a bovina, mas em todas elas, vem perdendo posição na oferta brasileira. Ao contrário daquilo que se espera para a soja, acredita-se que o processo de perda de participação do RS na produção de carnes é reversível ou que, pelo menos, pode ser estancado.

A produção suína e de aves, hoje concentrada na chamada Metade Norte, representa um mercado cativo para a lavoura de milho do RS, o qual não é atendido adequadamente. Na medida em que a produção de milho lograr expandir-se, remover-se-á o obstáculo à uma maior expansão da produção suína e de aves.

Assim, diante deste quadro, mesmo com crise, queremos mais pessoas em galerias pedindo costelinha de porco, mais carne suínas nos restaurantes do Centro, e feijoadas o ano todo.

Gostaríamos de mais atenção a essa carne que deixou de ser tabu em dietas, até porque, as gurias daqui comem sushi sim, mas também vão com gosto, para cima de uma costelinha de porco.

Para arrematar apelamos aos nossos “restauranteiros” para caprichar num bom café tirado com jeito por um bom barista, pois cai bem depois de uma costelinha de porco.



Adeli Sell e Vereador em Porto Alegre