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Em agosto, ramo de alimentação fora de casa foi um dos destaques na geração de emprego dentro de serviços, atual carro-chefe na geração de emprego

Um dos setores mais afetados pela pandemia de coronavírus, o ramo de bares e restaurantes sinaliza retomada no Rio Grande do Sul após meses de tropeços. Um dos sinais dessa recuperação está no âmbito do emprego. Desde maio, a abertura de vagas com carteira assinada dentro da área de alimentação triplicou no Estado: de 457 para 1.546, em agosto, segundo dados do Ministério do Trabalho e Previdência. Esse montante ocupa cerca de 20% do total de vagas abertas no setor de serviços - atual carro-chefe do emprego no país - no período em solo gaúcho.

O avanço da vacinação, a diminuição nas restrições de funcionamento e a chegada do período de veraneio estão entre os fatores que explicam o início da recuperação e o otimismo do setor para os próximos meses, segundo especialistas.

O último levantamento da Associação de Bares e Restaurantes (Abrasel) com dados estaduais, divulgado no mês passado, reforça a busca por braçadas mais largas no setor. A pesquisa mostra que o percentual de bares e restaurantes gaúchos que fecharam no prejuízo caiu para 40% em julho - menor patamar registrado desde o início de 2021. Esse indicador ficou em 85%, em março, e fechou junho em 50%.

Em âmbito nacional, o cenário é parecido. Pesquisa divulgada na semana passada pela Abrasel mostra que três em cada 10 empresários pretendem contratar nos próximos três meses no país. O levantamento também cita que 20% está com dificuldade para recrutar mão de obra especializada. A pesquisa não tem recorte estadual, mas a presidente da Abrasel no Rio Grande do Sul, Maria Fernanda Tartoni, afirma que essa tendência também é observada no Estado.

A presidente da Abrasel no Estado salienta que o aumento das contratações ocorre diante de uma melhora no setor após períodos mais críticos durante o fechamento das atividades no Estado.

— É um momento de crescimento do setor e a gente está bem otimista que vamos conseguir superar esse momento da melhor forma possível — afirma Maria Fernanda.

As dívidas, as restrições de funcionamento, o aumento no preço de insumos e a diminuição de renda desaceleram o ritmo dessa retomada, segundo a empresária. A presidente da Abrasel no Estado estima que o setor vai seguir recuperando até a metade do próximo ano e começar a voltar ao patamar pré-pandemia no segundo semestre.

A economista-chefe da Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado do Rio Grande do Sul (Fecomércio-RS), Patrícia Palermo, cita a volta do trabalho presencial como um dos fatores que explicam esse início de retomada.

— Quando você tem mais pessoas voltando para o ambiente de trabalho, a gente começa a movimentar mais os restaurantes, que ficam nas imediações dos escritórios. Também tem a confiança das pessoas sendo retomada e, portanto, voltando a frequentar bares e restaurantes — afirma a economista-chefe da Fecomércio-RS.

O restaurante Fuê, no centro de Porto Alegre, é um dos estabelecimentos que vive essa retomada. Sócio-proprietário do restaurante, Heraldo Almeida, 36 anos, afirma que a casa vem buscando recuperação com mais fôlego desde maio. No período mais complicado da pandemia, o número de funcionários caiu de 17 para quatro no Fuê. Nos últimos meses, o quadro de colaboradores saltou para nove, e os sócios já estão encaminhando mais duas contratações até o fim do ano diante da melhora. O sócio-proprietário estima equilibrar melhor as contas até o fim do ano e começar a ficar no azul a partir de março do ano que vem.

— A retomada realmente está acontecendo. Não estamos ainda parecidos com o que era nos patamares pré-pandemia. A gente está bem distante, mas essa recuperação está acontecendo. A gente vê uma melhora mês a mês nesse último semestre — explica Almeida.

Mesmo com a retomada consistente do emprego desde maio, o setor de alimentação ainda não recuperou as vagas fechadas no ano passado. Em 2020, o segmento fechou 13,7 mil vagas no Estado. Nesse ano, até agosto, tem saldo positivo de 2,5 mil postos.

Fonte: GaúchaZH

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